- Como nossos pais, foi o titulo mais apropriado no momento que eu encontrei, pra falar um pouco de política, além de ser evangélica, sou militante do movimento negro, e militante na política também. E pensando sobre as ideologias do mundo, da política e do cristianismo resolvi fazer uma simples comparação, com a política nos tempos de hoje e nos anos atrás. Na época de 60/70/80 e a diferença para os dias de hoje, que pra mim não mudou muita coisa.
Em que momento da vida deixamos de ser jovens idealistas e passamos a ser velhos pragmáticos? Em que momento a geração de 68, que produziu uma revolução poética e política na França, lutou pela liberdade no Brasil e revolucionou a cultura e o comportamento no mundo todo, virou essa gente cínica, vazia e ignorante que nos governa e que manda no mundo hoje em dia?
Em que momento a minha geração, que foi pra rua derrubar um presidente com a cara pintada virou uma geração cara de pau, sem ideologia, espírito coletivo ou qualquer preocupação que não seja com o seu umbigo?
“A minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. Esses versos estão numa velha música, feita para comentar o fracasso da geração dos anos 60/70, mas que se encaixa perfeitamente no fracasso iminente da geração dos 80/90. Éramos os filhos da revolução, burgueses sem religião e o futuro da nação, como dizia Renato Russo, mas ao invés de derrubar reis e fazer comédia no cinema com as leis da geração passada, fizemos comédias piores que as deles.
O nosso fracasso é o mesmo, mas sem o romantismo e a beleza da geração passada. Deles herdamos só o cinismo, que legaremos para nossos filhos que estão nascendo num mundo sem ideologias, alternativas políticas consistentes, modelos econômicos diferentes e sem nenhuma perspectiva, mesmo que utópica, de revolução política, sexual, estética, musical, comportamental ou o que quer que seja.
Por que estou escrevendo tudo isso? Não sei.
Talvez porque a minha dor esteja na percepção de que pode estar chegando a minha hora de deixar de ser um jovem idealista e passar a ser um velho pragmático. Alguém que pare de se angustiar com as coisas como são e passe a aceitar a vida como ela é. O problema é convencer aquele garoto que ia mudar o mundo a aceitar assistir a tudo em cima do muro.
:)
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